quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Crescimento do PIB: será sustentável? (Parte II)

Alguém que ajude?

Esta deve ser a pergunta que alguém que tenha lido o texto de ontem deve ter feito. Como diria Santana: «Keep it Cool». Nem tudo é mau. Algumas influências de ontem, por mais negativas que possam vir a ser, podem também abrir janelas de oportunidades.

Mas antes de lá irmos comecemos por aquilo que já sabemos. Web Summit. É o acontecimento. A deste ano foi mais do que um sucesso. Diria que nem durante o Euro 2004 Lisboa se encontrou tão sobrelotada como nesta semana. E nem vamos entrar nos negócios em si... Milhares de Milhões. Sem dúvida que este evento irá ajudar a alavancar a economia do País neste último trimestre e em cada um dos últimos trimestres dos próximos dois anos. Mas este ano o peso vai-se notar. Direta e indiretamente a Web Summit gerou negócio e movimentou a economia.
Na sequência da desta Web Summit, permitam-me entrar já na 1ª grande janela de oportunidade. O Governo, pela voz do Primeiro-Ministro, anunciou durante o evento apoio às start-ups e empresas tecnológicas. Apoio, esse, ora financeiro, através de investimento e facilidade de acesso ao crédito, ora através de fiscalidade amigável. Porque é isto importante? Porque com um jeitinho daqui e um arranjinho dali, Portugal pode posicionar-se no mercado como o "Place", isto é, o sítio certo para várias empresas assentarem arraiais. Com Trump nos EUA a prometer rasgar acordos internacionais e dificultar a imigração, com o Brexit a acontecer no Reino Unido, ou seja, mais um país que vai apertar as regras de entrada no país para estrangeiros, Portugal pode, eu diria mesmo, deve aproveitar para fazer uso de um triângulo de força que detém assente nos seguintes vectores: leis de entrada e residência acessíveis, liberais se quiserem; know-how de uma das gerações mais bem preparadas da história do País; receptividade do País, aquela coisa que nós sabemos fazer bem, o receber bem. Claro que não fará mal ser amigável em termos fiscais e de apoio financeiro.

Eu sei, eu sei. Mas porque vão estas empresas sair dos países de onde estão? Silicon Valley e Londres são muito mais apelativas e tem muito mais know-how e negócio do que Lisboa, ou Porto, ou até Faro. O problema é que estas empresas, tecnológicas na sua maioria, querem continuar a recrutar os melhores. E os melhores não se mede pela nacionalidade presente no passaporte, mas sim pelas
capacidades e know-how. Outras há que não querem perder os seus funcionários, que se sentem rejeitados nestes países ou que podem ver as suas famílias expulsas, mesmo que eles não o sejam.

E o homem da imagem é exemplo disso mesmo. Miles Jacobson, Studio Director da Sports Interactive, responsável pela saga Football Manager, foi recentemente chamado ao parlamento britânico, para em audições à porta fechada explicar como podia a sua empresa ter-se preparado melhor para as consequências do Brexit, que os próprios políticos que o defenderam em campanha. Mas, o que me interessa aqui é esta entrevista ao Guardian, em que Miles refere que durante o processo de perceber o que poderia mudar com o Brexit no futuro e de tentar reproduzi-lo no jogo, se apercebeu que ele próprio pode vir a perder parte do seu staff, incluindo peças chaves do mesmo, ora porque não conseguiriam arranjar uma licença de trabalho, ora porque as suas famílias não o conseguiriam e eles as acompanhariam, ou, então, simplesmente porque já não se sentiam bem-vindos no Reino Unido. 
Miles refere mesmo que devido às políticas e curriculuns de alguns anos a esta parte, no Reino Unido, seria e será impossível na próxima década substituir estas peças sem perder know-how e potencialidades de crescimento que advém da diversidade.

Ora este cenário abre espaço para acreditar que algumas destas empresas possam ter que deslocalizar ou montar parte da sua operação, para não dizer toda, noutros locais. E Portugal pode, com algum trabalho de antecipação, posicionar-se como um dos principais concorrentes.

Peso do Natal

Se na parte tecnológica as coisas parecem abrir portas interessantes para a entrada de investimento. Na parte do consumo interno resta-nos, até ao final do ano, o Natal. Com a política de devolução de rendimentos o governo espera poder colher alguns frutos neste final do ano com um aumento, mesmo que pouco significativo, do consumo interno. E nada melhor do que a altura em que as pessoas mais consomem. 
Com o Natal à porta à espaço para perceber se a política está a ir no sentido certo e de poder suster o crescimento obtido no 3º trimestre. Mas como todos sabemos, em economia, nem sempre 1+1 é igual a 2.

Ser Cauteloso

Não é ser resignado, nem adventista do pior. Mas ir com calma e cautela nunca fez mal a ninguém. E o governo deve perceber isso mesmo. O crescimento de 1,6%, em termos homólogos, e 0,8%, em cadeia, no 3º Trimestre, são excelentes notícias, mas não passam disso noticias, ou se quiserem, adventos.
Só no dia 31 de Dezembro se poderão fazer as contas finais e, até lá, muita água vai correr ainda. Potenciar aquilo que pudermos potenciar é um "must" e, tentar, minimizar os riscos é uma obrigação.
De qualquer das formas há razões, como diria o Presidente Marcelo, para estar optimistas. Mas o trabalho ainda não está todo feito... A procissão ainda nem da igreja saiu, quanto mais no adro!

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Crescimento do PIB: será sustentável? (Parte I)

Os Números

Não sei. Perguntem-me daqui a 3 meses. Esta é, ou deveria ser, a resposta de alguém sensato.

A verdade é que as dúvidas são muitas. Historicamente o último trimestre é instável em termos de evolução do PIB, seja em termos homólogos ou em cadeia, e o facto de haver muitas dúvidas sobre o futuro do resto do mundo não ajuda às previsões de sucesso ou insucesso.
Mas já lá vamos. Antes disso vamos olhar para os números.


Fonte INE
Contas Nacionais Trimestrais - Estimativa Rápida do 3º Trimestre de 2016, Fonte INE

Antes de mais é importante perceber que este crescimento de 0,8% da economia, em termos reais, e os 1,6% conseguidos, em termos homólogos, são evidentemente uma boa notícia para o país.
Mas devem ser olhados com alguma cautela. Primeiro porque representam um trimestre de grande fluxo e porque, apesar de assentar em exportação de bens e serviços, tem também um bom contributo do consumo de bens não duradouros, o que tendo em conta os meses aqui envolvidos (Julho, Agosto, Setembro, Verão basicamente) não surpreende.
Além disso como podemos verificar, por norma o último trimestre tende a ser algo instável, tanto podendo haver um decréscimo desta evolução como uma sustentação da mesma. Olhando para o que tem sido o ano até aqui eu diria que seria de expectar, se tudo o resto ficasse constante, que no último trimestre o nosso PIB crescesse e atingisse os valores que o governo previu na sua última revisão em baixa do crescimento, ou seja, 1,2% para este ano.
Porém o mundo não é estático e há o risco de este crescimento não passar os 0,9% da previstos pela Comissão Europeia.

As Possíveis Influências

Como devem imaginar todas os perigos veem do exterior. Parece estranho, mas a realidade é esta. 
Em termos políticos, muito mudou desde Setembro e, pior, muito pode ainda mudar até ao de 31 de Dezembro.
A começar temos a eleição de Donald Trump. Primeiro os EUA vão entrar em shutdow até Janeiro. Toda a legislação vai parar. Tratados vão ser colocados na gaveta. E negociações mais congeladas que o ártico. Depois de Janeiro... Bem depois de Janeiro ninguém sabe ou pode prever. Mas se Trump cumprir a palavra teremos uma América fechada ao Mundo, em termos de pessoas e de economia. E isso não beneficia um país como o nosso que quer exportar. Sobretudo porque medidas protecionistas, podem ter efeitos imediatos nas empresas do sector automóvel (Auto-Europa e PSA-Peugeot alguém em casa?), uma vez que estas marcas destas empresas, tal como a maioria dos fabricantes Europeus, tem a sua produção no Norte do continente Americano localizada no México. Medidas protecionistas levarão a um re-planeamento dos investimentos, uma vez que ter de deslocalizar parte das produções para dentro dos EUA não será uma opção facilmente descartável.
E sim nada disto nos vai influenciar, realmente, antes de 2017. Mas até lá ninguém tomará opções de fundo. Mais uma vez, tudo parado à espera para ver irá ser a opção.

Se os EUA vão congelar tudo, Itália pode soltar o Inferno e servir de aquecedor contra o frio, mas um mau aquecedor. Faltam 18 dias para o referendo italiano. O referendo é sobre a constituição e não teria grande impacto sobre o resto da Europa e, inerentemente, sobre nós não fosse o facto de Mateo Renzi ter colado a sua manutenção no governo ao resultado do mesmo. Renzi, um político com algum nível de aprovação em Itália (já foi melhor, mas também podia ser pior), decidiu dar uma de mártir e colocar a sua cabeça a prémio... Que diabos, Renzi colocou a sua cabeça na guilhotina e amarrou os braços deixando-se nas mãos de um eleitorado volátil. O não abrirá assim caminho a uma crise política, muito provavelmente eleições antecipadas e um risco chamado M5S, com Beppe Grilo à cabeça. Mais um extremista populista, parece que andam aí a rodos nos dias de hoje.

E depois lá mais dentro de 2017 há estes três da esquerda. François Hollande, Angela Merkel e Mark Rutte, respetivamente, Presidente de França, Chanceler Alemã e Primeiro-Ministro Holandês, que terão de ir às urnas assegurar, no caso dos dois últimos, o seu lugar, impedindo o crescimento de fenómenos extremistas, no caso do primeiro, que a extrema-direita não chega, mesmo, ao poder. E aqui se jogará o futuro da Europa. Entre a questão Renzi,o facto de em Espanha estarmos perante um governo sem suporte parlamentar, o que irá complicar a aprovação de um orçamento ou qualquer medida, uma Grécia ainda a lutar com a ideia da austeridade e um BCE que algures entre Março e Maio pode dar por terminado o programa de dívida no mercado secundário, o que irá levar obrigatoriamente, à subida dos juros...

Demasiadas variáveis para prever o que quer que seja.

(Amanhã, os fatores que podem influenciar positivamente o PIB)

terça-feira, 15 de novembro de 2016

DHARMA Initiative

Os fãs de Lost reconhecerão certamente o nome e o símbolo. Os outros nem por isso.
A D.H.A.R.M.A Initiative era uma, instituição, vamos por agora colocá-lo assim, que na série Lost era responsável por uma série de coisas, desde abduções a parte das explicações sobre o que era a ilha.
O seu nome completo, significava, Department of Heuristics And Research on Material Applications Initiative, ou em português, Departamento de Heurística e Pesquisa de Aplicações Materiais.
Sendo a Heuristica, a "capacidade de um sistema fazer, de forma imediata, inovações positivas para um determinado fim".
O propósito da Iniciativa era possibilitar o trabalho em conjunto de cientistas e profissionais liberais de todo o mundo, permitindo assim que desenvolvessem pesquisas nas áreas de Meteorologia, Psicologia, Parapsicologia, Zoologia, Eletromagnetismo, Estudos Sociais.
A Iniciativa DHARMA foi parte de um projeto ligado à Equação Valenzetti. O propósito dela na Ilha de Lost era usar pesquisas científicas para manipular o ambiente e mudar qualquer um dos fatores do núcleo que compõe a equação, mudando assim o curso da raça humana.

Basicamente o objetivo era tentar mudar o curso das coisas, quase que num jogo entre o livre arbítrio e o destino.
Aqui neste blog, não vou ser tão ambicioso, mas vou procurar explanar diferentes pontos de vista sobre o mesmo assunto. Sempre com o meu ponto de vista como ponto principal.
Penso que estamos numa fase da história mundial em que os moderados simplesmente carecem de tempo, para tentarem influenciar e, sobretudo, impedir estas derivas cada vez mais extremistas que existem, seja na área política, do futebol, religião... Pelo que é nesta fase da história que se impõe a estes mesmos moderados, onde acredito que me encontro, voltarem, de alguma forma e meio, a centrar a discussão no que realmente interessa. As ideias e a cultura do compromisso entre essas diferentes ideias. Porque não há certos nem errados, como nem tudo é preto ou branco.

Para terminar deixem-me já colocar algumas questões de lado:
  • sou de centro-esquerda; sou jovem; 
  • acredito na democracia e nos valores democráticos; acredito na diplomacia, mas não sou totalmente anti-guerra; 
  • tenho inspirações politicas tanto à esquerda como à direita; 
  • nunca li Karl Marx ou outro qualquer escritor ideológico; 
  • tenho formação em áreas econômicas (Administração Pública e Gestão);
  • sou de Guimarães e adepto do Vitória Sport Clube.


Acho que estão feitas as declarações de interesse em nome da transparência.