quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Crescimento do PIB: será sustentável? (Parte I)

Os Números

Não sei. Perguntem-me daqui a 3 meses. Esta é, ou deveria ser, a resposta de alguém sensato.

A verdade é que as dúvidas são muitas. Historicamente o último trimestre é instável em termos de evolução do PIB, seja em termos homólogos ou em cadeia, e o facto de haver muitas dúvidas sobre o futuro do resto do mundo não ajuda às previsões de sucesso ou insucesso.
Mas já lá vamos. Antes disso vamos olhar para os números.


Fonte INE
Contas Nacionais Trimestrais - Estimativa Rápida do 3º Trimestre de 2016, Fonte INE

Antes de mais é importante perceber que este crescimento de 0,8% da economia, em termos reais, e os 1,6% conseguidos, em termos homólogos, são evidentemente uma boa notícia para o país.
Mas devem ser olhados com alguma cautela. Primeiro porque representam um trimestre de grande fluxo e porque, apesar de assentar em exportação de bens e serviços, tem também um bom contributo do consumo de bens não duradouros, o que tendo em conta os meses aqui envolvidos (Julho, Agosto, Setembro, Verão basicamente) não surpreende.
Além disso como podemos verificar, por norma o último trimestre tende a ser algo instável, tanto podendo haver um decréscimo desta evolução como uma sustentação da mesma. Olhando para o que tem sido o ano até aqui eu diria que seria de expectar, se tudo o resto ficasse constante, que no último trimestre o nosso PIB crescesse e atingisse os valores que o governo previu na sua última revisão em baixa do crescimento, ou seja, 1,2% para este ano.
Porém o mundo não é estático e há o risco de este crescimento não passar os 0,9% da previstos pela Comissão Europeia.

As Possíveis Influências

Como devem imaginar todas os perigos veem do exterior. Parece estranho, mas a realidade é esta. 
Em termos políticos, muito mudou desde Setembro e, pior, muito pode ainda mudar até ao de 31 de Dezembro.
A começar temos a eleição de Donald Trump. Primeiro os EUA vão entrar em shutdow até Janeiro. Toda a legislação vai parar. Tratados vão ser colocados na gaveta. E negociações mais congeladas que o ártico. Depois de Janeiro... Bem depois de Janeiro ninguém sabe ou pode prever. Mas se Trump cumprir a palavra teremos uma América fechada ao Mundo, em termos de pessoas e de economia. E isso não beneficia um país como o nosso que quer exportar. Sobretudo porque medidas protecionistas, podem ter efeitos imediatos nas empresas do sector automóvel (Auto-Europa e PSA-Peugeot alguém em casa?), uma vez que estas marcas destas empresas, tal como a maioria dos fabricantes Europeus, tem a sua produção no Norte do continente Americano localizada no México. Medidas protecionistas levarão a um re-planeamento dos investimentos, uma vez que ter de deslocalizar parte das produções para dentro dos EUA não será uma opção facilmente descartável.
E sim nada disto nos vai influenciar, realmente, antes de 2017. Mas até lá ninguém tomará opções de fundo. Mais uma vez, tudo parado à espera para ver irá ser a opção.

Se os EUA vão congelar tudo, Itália pode soltar o Inferno e servir de aquecedor contra o frio, mas um mau aquecedor. Faltam 18 dias para o referendo italiano. O referendo é sobre a constituição e não teria grande impacto sobre o resto da Europa e, inerentemente, sobre nós não fosse o facto de Mateo Renzi ter colado a sua manutenção no governo ao resultado do mesmo. Renzi, um político com algum nível de aprovação em Itália (já foi melhor, mas também podia ser pior), decidiu dar uma de mártir e colocar a sua cabeça a prémio... Que diabos, Renzi colocou a sua cabeça na guilhotina e amarrou os braços deixando-se nas mãos de um eleitorado volátil. O não abrirá assim caminho a uma crise política, muito provavelmente eleições antecipadas e um risco chamado M5S, com Beppe Grilo à cabeça. Mais um extremista populista, parece que andam aí a rodos nos dias de hoje.

E depois lá mais dentro de 2017 há estes três da esquerda. François Hollande, Angela Merkel e Mark Rutte, respetivamente, Presidente de França, Chanceler Alemã e Primeiro-Ministro Holandês, que terão de ir às urnas assegurar, no caso dos dois últimos, o seu lugar, impedindo o crescimento de fenómenos extremistas, no caso do primeiro, que a extrema-direita não chega, mesmo, ao poder. E aqui se jogará o futuro da Europa. Entre a questão Renzi,o facto de em Espanha estarmos perante um governo sem suporte parlamentar, o que irá complicar a aprovação de um orçamento ou qualquer medida, uma Grécia ainda a lutar com a ideia da austeridade e um BCE que algures entre Março e Maio pode dar por terminado o programa de dívida no mercado secundário, o que irá levar obrigatoriamente, à subida dos juros...

Demasiadas variáveis para prever o que quer que seja.

(Amanhã, os fatores que podem influenciar positivamente o PIB)

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